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O adeus a Paul Allen

17 de outubro de 2018

Paul Allen deixou a esfera mortal aos 65 anos de idade, nessa segunda-feira (15). Sua curta mas produtiva jornada entre nós foi marcante para uma legião de amigos, fãs, entusiastas da tecnologia, dos esportes e até da música. Não seria incorreto afirmar que, sem Paul Allen e sua visão, o mundo de hoje seria um lugar diferente.

Ele era apenas um moleque de 14 anos nascido em Seattle quando encontrou outro guri da mesma cidade, com que iniciaria uma amizade que mudaria tudo. Bill Gates tinha então apenas 12 anos e nenhum dos dois, nem mesmo em seus sonhos mais loucos imaginariam as posições que ocupariam décadas depois. Mas sabiam que essa aliança era algo que sobreviveria a tudo e poderia mover montanhas.

O adolescente Paul Allen

Ainda muito jovens, largariam a faculdade juntos e fundariam a Microsoft em 1975. Sua empresa foi fundamental para a popularização da computação pessoal, para a penetração da tecnologia nos escritórios, para a explosão da internet e seu impacto pode ser sentido até os dias de hoje.

Mas Allen se distanciou da empresa em 1983, quando foi diagnosticado pela primeira vez com a doença de Hodgkin. Era o início de uma luta que se estenderia por 35 anos e terminaria com sua morte para uma enfermidade similar. Porém, era o início também de uma longa estrada dedicada a múltiplas atividades: filantropia, pesquisa científica, esportes, música, entretenimento, hardware.

“Nos primeiros oito anos na Microsoft, sempre estivemos acorrentados aos nossos terminais, e depois que fiquei doente pela primeira vez, decidi que seria mais aventureiro e exploraria mais do mundo”, explicou certa vez. Paul Allen era maior que a Microsoft, era maior que qualquer doença que o afligisse, seu entusiasmo e sua paixão pela descoberta não poderiam ser contidos.

Seus investimentos e suas ações da Microsoft renderam um valor calculado de cerca de 20 bilhões de dólares, o que o tornava um dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Ainda assim, em suas sábias palavras, “você procura pelas coisas que você gosta em sua vida, mas muito mais importante é o que você pode fazer para tornar o mundo um lugar melhor”.

Desta forma, como seu eterno amigo Gates, Allen olhava além e colaborava com projetos de deixar como legadao uma sociedade melhor do que aquela que ele encontrou. Uma de suas últimas contribuições filantrópicas aconteceu em 2014, quando doou 100 milhões de dólares para o combate ao vírus Ebola no Oeste da África, no ápice da epidemia. Naquele mesmo ano, fundaria o Allen Institute for Cell Science, uma organização dedicada a entender o funcionamento das células e a melhor forma de combater doenças, qualquer doença.

Discípulo de Hendrix

Havia múltiplos Paul Allen dentro da mesma lenda. Uma de suas facetas, talvez a menos conhecida por quem trabalha com tecnologia, era sua devoção à música, especialmente ao rock. O tímido programador, o discreto filantropo era um fã incondicional de Jimi Hendrix, uma paixão que antecedeu a própria Microsoft, quando viu o guitarrista se apresentando ao vivo em 1969.

Essa paixão permaneceu adormecida por muitas décadas por trás da fachada sisuda do executivo, mas aflorou novamente em 2000. Sem compromissos com a crítica, Allen assumiu a guitarra rítmica de uma banda de Seattle, apropriadamente batizada de “Grown Men” (“Homens Crescidos”, em bom Português). Chegaram a lançar um CD naquele ano. A aventura foi tão prazerosa que Allen voltaria aos estúdios com uma nova banda 13 anos depois, já com sessenta anos de idade. Ele e os Underthinkers lançariam um álbum pela Sony, em 2013.

Paul Allen, no violão, se apresentando ao vivo durante o PC Forum, em Março de 1991

Allen compartilhava com Seattle sua paixão por Hendrix e pela música e deu à cidade berço do movimento grunge o Museum of Pop Culture. Lá está agora a famosa 1968 Fender Stratocaster usada por Hendrix durante o festival de Woodstock, comprada por Allen por US$1.3 milhão de dólares e doada ao museu. Por esse, e por tantos outros motivos, ele não será esquecido.

O adeus do amigo

É impossível não homenagear a grande figura humana de Paul Allen e não mencionar Bill Gates. E ninguém pode se despedir do velho amigo melhor do que ele. Segue a íntegra do tributo prestado por Gates em seu site oficial:

Paul Allen, um dos meus amigos mais antigos e o primeiro parceiro de negócios que eu já tive, morreu ontem. Quero estender minhas condolências à sua irmã, Jody, sua família extensa e seus muitos amigos e colegas ao redor do mundo.

Eu conheci Paul quando eu estava na 7 ª série, e isso mudou minha vida.

Eu olhei para ele imediatamente. Ele estava dois anos à frente de mim na escola, muito alto e provou ser um gênio com computadores. (Mais tarde, ele também tinha uma barba muito legal, que eu nunca consegui fazer.) Começamos a sair juntos, especialmente quando o primeiro computador chegou à nossa escola. Passamos praticamente todo o nosso tempo livre brincando com qualquer computador que pudéssemos colocar em nossas mãos.

Paul previu que os computadores mudariam o mundo. Mesmo no ensino médio, antes que qualquer um de nós soubesse o que era um computador pessoal, ele previa que chips de computador ficariam super poderosos e acabariam dando origem a uma indústria totalmente nova. Essa percepção dele foi a pedra angular de tudo o que fizemos juntos.

Na verdade, a Microsoft nunca teria acontecido sem o Paul. Em dezembro de 1974, ele e eu estávamos morando na área de Boston – ele estava trabalhando e eu estava indo para a faculdade. Um dia ele veio e me pegou, insistindo que eu corresse para uma banca de jornal próxima com ele. Quando chegamos, ele me mostrou a capa da edição de janeiro da Popular Electronics. Ela apresentava um novo computador chamado Altair 8800, que rodava em um novo e poderoso chip. Paul olhou para mim e disse: “Isso está acontecendo sem nós!” Esse momento marcou o fim da minha carreira universitária e o início de nossa nova empresa, a Microsoft. Isso aconteceu por causa de Paul.

Como a primeira pessoa com quem fiz parceria, Paul estabeleceu um padrão que poucas pessoas poderiam conhecer. Ele tinha uma mente abrangente e um talento especial para explicar assuntos complicados de uma maneira simples. Uma vez que tive a sorte de conhecê-lo desde tão jovem, vi isso antes do resto do mundo. Quando adolescente, eu estava curioso sobre (entre todas as coisas) a gasolina. O que “refinar” significa mesmo? Eu me voltei para a pessoa mais experiente que eu conhecia. Paul explicou isso de uma maneira super clara e interessante. Foi apenas uma das muitas conversas esclarecedoras que teríamos nas próximas décadas.

Paul era mais legal do que eu. Ele gostava muito de Jimi Hendrix na adolescência, e eu me lembro dele tocando Are You Experienced? para mim. Eu não tinha experiência em muito de qualquer coisa naquela época, e Paul queria compartilhar essa música incrível comigo. Esse é o tipo de pessoa que ele era. Ele amava a vida e as pessoas ao seu redor, e isso aparecia.

O esporte era outra paixão que Paul gostava de compartilhar com seus amigos. Nos últimos anos ele me levaria para ver seu amado Portland Trail Blazers e pacientemente me ajudaria a entender tudo o que estava acontecendo na quadra.

Quando penso em Paul, lembro-me de um homem apaixonado que mantinha sua família e amigos queridos. Também me lembro de um brilhante tecnólogo e filantropo que queria realizar grandes coisas e fez.

Paul merecia mais tempo na vida. Ele teria aproveitado ao máximo. Vou sentir sua falta tremendamente.

Bill Gates

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