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Skynet é real e é chinesa

10 de dezembro de 2019

Qualquer pessoa que tenha visto pelo menos um filme da franquia O Exterminador do Futuro entende o que Skynet significa: uma Inteligência Artificial autônoma que adquiriu consciência própria e tomou a decisão de erradicar a raça humana do planeta. E quase conseguiu. Desde o primeiro filme, em 1984, o nome passou a ser associado a um dos maiores temores da Humanidade: a tecnologia utilizada contra nós mesmos. Se alguém tinha esquecido o significado de Skynet, O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, que estreou recentemente nos cinemas, deveria funcionar como um refresco.

Entretanto, apesar de toda a conotação negativa associada com a “marca” Skynet, na China, ela é real: uma vasta rede oficial de cerca de 200 milhões de câmeras de vigilância em operação nas ruas, dotadas de capacidades de reconhecimento facial e todas conectadas a um único banco de dados administrado pelo governo. Sem nenhuma ironia embutida, mas não menos assustadora, o nome do sistema é Skynet.

Para se ter uma noção desse número, podemos dizer que o governo chinês tem uma câmera instalada para cada sete habitantes. É quatro vezes o volume de câmeras de vigilância instaladas nos Estados Unidos, o segundo colocado em termos desta tecnologia. Lembrando também que o cenário típico de uso em solo norte-americano são câmeras instaladas por pequenos proprietários ou lojistas, enquanto na China estamos considerando tão somente a base de câmeras instaladas pelo próprio governo. É de longe o maior aparato de monitoramento estatal já montado na História da Humanidade.

E a expectativa do governo chinês é que essas 200 milhões de câmeras ultrapassem a marca de 600 milhões ainda em 2021. Contratos e investimentos do governo estão impulsionando a indústria local em processos de reconhecimento de imagens, para permitir a identificação de rostos, roupas e até postura corporal.

Oficialmente, o Skynet foi desenvolvida como uma ferramenta policial, para identificar infratores e criminosos e facilitar o trabalho de vigilância da polícia. Para surpresa de ninguém, o sistema funciona com perfeição. Com assustadora perfeição, pode-se dizer. Em dezembro de 2017, o jornalista da BBC John Sudworth foi convidado a participar de um teste e seu rosto foi marcado como um suspeito dentro da Skynet. Depois disso, ele deveria tentar sumir na cidade. Em menos de sete minutos, ele foi identificado e “detido” pelas autoridades locais.

Quatro meses depois, um estudante universitário chinês que produzia uma tese sobre Skynet se ofereceu para o mesmo desafio, em outra província. Ele se apresentou ao distrito policial, teve seu rosto marcado no sistema e recebeu dez minutos de vantagem para tentar escapar da cidade. Ele também foi localizado em pouco mais de cinco minutos.

Embora a validade de tais demonstrações possa ser questionada, é evidente que o governo investiu uma quantia significativa nessa infraestrutura e não foi para impressionar jornalistas ocidentais. Além das câmeras, Skynet está conectada com óculos inteligentes aparelhados em agentes espalhados pelas principais cidades do país, permitindo que eles identifiquem em segundos placas de carros e rostos na multidão com um nível de precisão que se aproxima do impecável.

Ao contrário do que se poderia imaginar, essa infraestrutura não é secreta, não é uma conspiração de monitoramento. Muito pelo contrário: é amplamente divulgada pelos órgãos estatais. O governo chinês sabe que a mera percepção da existência de Skynet já é uma poderosa ferramenta de controle. Não há o que se esconder nesse sentido e nem tampouco a escolha do nome foi inapropriada.

Defensores dos direitos civis já demonstraram preocupação sobre os limites dessa vigilância 24 horas e seus efeitos sobre o conceito de privacidade individual a nível nacional. Teme-se ainda que o governo chinês utilize essa ferramenta fora do escopo policial e da manutenção da lei. Skynet poderia ser facilmente adotada para controlar a circulação de jornalistas, investigadores internacionais, ativistas políticos, dissidentes do governo ou qualquer outro cidadão cujos interesses conflitem com os interesses do Partido Comunista.

Wu Fei é o chefe-executivo da LLVision, uma das empresas locais que vem ascendendo no desenvolvimento e implantação de tecnologias para o Estado. Ele defende o sistema, de acordo com a cartilha e afirma que o governo está usando esse aparato para “causas nobres” e que “nós confiamos no governo”.

Um outro executivo de empresa de tecnologia ligada ao governo preferiu ficar no anonimato, mas garantiu que Skynet já conta com aproximadamente 30 milhões de pessoas cadastradas em sua lista negra, entre suspeitos de terrorismo, narcotraficantes, criminosos em geral e, sim, ativistas políticos. O executivo admitiu também que é tecnologicamente impossível para qualquer algoritmo fazer a identificação facial com esta escala e que é necessário resetar o sistema com frequência. Afinal, como comparar todas as imagens recebidas por 200 milhões de câmeras em tempo real contra um banco de dados desse tamanho?

Ainda assim, isso não significa que essa singularidade não possa ser atingida em um futuro próximo. Fontes próximas a Skynet afirmam que o sistema já é implacável quando focado em um alvo específico dentro de uma janela de tempo limitada.

Essa tecnologia está começando a ser exportada para outros países, incluindo o rival econômico Estados Unidos. A despeito dos atritos diplomáticos entre os países, a cidade de Nova York já está implementando uma rede similar à Skynet. Outros 62 governos nacionais estão em diferentes etapas de adoção de tecnologia de vigilância baseada em Inteligência Artificial de Skynet, incluindo Espanha, França e Alemanha.

O mundo real imita a ficção, sem medo de se apropriar de um nome com um forte peso na cultura popular. Que o caminho desta Skynet não seja similar ao daquela eternizada nos cinemas.

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